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  Rocha Correia Escultura
 
 

 

     
 

Madeira policromada, 29x52x16 cm

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Currículo
Rocha Correia nasceu a 30 de Março de 1918 e faleceu em 1996.

Ainda aluno das Belas Artes, onde foi discípulo dos mestres Simões de Almeida (sobrinho) e de Leopoldo de Almeida, participava já em importantes acontecimentos artísticos da época, como foram os salões da S.N.B.A, ou as exposições promovidas pelo S.P.N., tendo recebido vários galardões, dos quais se destaca, sem dúvida, o 2º prémio Soares dos Reis de 1943. Como estudante de escultura, aproveitava ainda os ensinamentos do mestre Barata Feio, trabalhando no seu "atelier” das Janelas Verdes.

Terminado o curso em 1944, inicia então a sua carreira docente na Escola de Artes Decorativas António Arrolo. Apesar desta opção pelo ensino, não abandona a produção artística, integrando-se no movimento de intensa actividade que aproveitava uma certa "abertura" imposta pelos acontecimentos do pós-guerra à ditadura do Estado Novo. Participa então nas primeiras Exposições Gerais de Artes Plásticas, promovidas pela S.N.B.A., assim como continua a concorrer às Exposições de Arte Moderna do S.N.I., recebendo mesmo vários prémios. O seu empenhamento no desenvolvimento de um meio artístico que procurava então intensamente libertar-se do pesado jugo da fascizante política estatal, levou-o ainda a fazer parte, como membro suplente, das direcções da S.N.B.A eleitas em 1948 e 1949. São mercantes também, nestes finais dos anos 40, o seu convívio e experimentação conjunta com Frederico George, Le Mattre de Carvalho, e ainda Jorge Vieira e Daciano Costa.

Nos anos 50 irão determinar um abrandamento de toda esta actividade. O governo do Estado Novo deixa de se preocupar com a imagem dada para o exterior, que se consubstanciara até aí na famosa "política do espírito" de António Ferro através do S.P.N./S.N.I., o que determinará o "silenciamento" dos ecos da produção artística e cultural, Por seu lado, a carreira docente de Rocha Correia impor-lhe-á o abandono da capital até aos finais da década de 60.

Apesar do afastamento, e tanto quanto lhe permitiu a errante e absorvente actividade docente e o pouco incentivador meio da encomenda artística, Rocha Correia foi realizando pontualmente alguns trabalhos, desde a colaboração escultórica em obras de arquitectura até bustos-retratos e medalhas.

Ao longo de todo este tempo, não abandonou, no entanto, as suas pesquisas no campo dos materiais e das formas de expressão da escultura. Foi o resultado de parte desse trabalho que expôs em 1968, na sua única mostra individual na Galeria Divulgação. É também uma escultura em madeira policroma, intitulada "Totem Vigilante", que é escolhida para integrar a III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1986. São igualmente exemplo dessa pesquisa as obras agora expostas.

Através de toda a sua obra, revela-se o seu apreço por Bourdelle, que preferia a Rodin, como marca de uma sólida formação académica. Formação essa que, todavia, não impediu a sua enorme atracção pela obra de Marini, ou o interesse pelas experiências de Calder, nem tão pouco a contínua pesquisa das capacidades expressivas dos materiais (especialmente o barro), das cores e dos seus comportamentos perante a luz.

Não menos importante do que o seu trabalho artístico foi, sem duvida, a sua actividade de professor, que ninguém melhor do que os seus próprios alunos poderá apreciar. O que agora lembramos, nós que fornos seus colegas e amigos, é o muito que nos soube transmitir, ao seu jeito simples e prazenteiro, em amenas e alegres "cavaqueiras" ou nas inesquecíveis viagens e visitas. Não é fácil esquecer uma ida ao Museu do Chiado conduzida por alguém que conheceu "por dentro" alguns dos ateliers de onde aquelas obras saíram e que privou corri os seus autores. Também será muito difícil apagar da memória uma visita a Paris e ao Louvre, envolvida pelo entusiasmo contagiante de alguém que esperou setenta anos para “ver” finalmente, obras de arte longamente estudadas e apreciadas...

Exposições na Galeria Lino António
Esculturas. Dezembro de 1998