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João Fazenda Ilustração |
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Não é de palavras que se constroí uma imagem, mas é de imagens que se constroí uma ilustração. Apetece perguntar - Quantas imagens cabem numa ilustração?
Ao trabalhar para a imprensa, ao ilustrador é pedido poder de síntese e legibilidade gráfica, uma imagem que não cabe na realidade, uma ideia que não cabe numa imagem. Umas vezes o ilustrador encontra-a, outras não; é esse o seu jogo e risco. Uma ideia que se confunda com o desenho, que tenha o poder de uma linguagem. As páginas dos jornais das revistas não se prestam a silêncios - estamos em trânsito, e as imagens fazem parte desse motor do mundo que é a informação. Aqui as imagens valem todas as leituras que quisermos fazer menos a da contemplação - elas produzem conteúdo, informam. É verdade que também ilustram, no sentido iluminado, as palavras, mas, longe da simples repetição do texto elas devem dialogar com ele, complementando-se mutuamente. É verdade que às vezes também são só bonecos, imagens bonitas. E nesse caso, quantas palavras vale uma imagem?
São essas páginas a origem destas ilustrações que aqui são mostradas. O seu lugar foi forjado entre textos, compostos nas mais variadas fontes; entre fotografias das mais diversas cores; entre notícias de todos os géneros, da cultura à economia; entre as pressas dos nossos dias. Andaram de metro e de autocarro, de comboio e avião; serviram naquele dia daquela semana e como apareceram, logo partiram. Esta voragem em direcção ao esquecimento e ao caixote do lixo (guardar jornais = pó e bichos) faz parte do acordo tácito proposto ao ilustrador: inventar um dia claro entre a nebulosidade das notícias. E depois desaparecer. O papel amarelo dos jornais serve para nos lembrar que os mesmos são antigos, não vamos nós confundir os dias e as notícias, e também para lembrar que o acordo não está a ser cumprido. Pois.
Ainda bem que há as exposições!
E agora sem rede, sem texto, sem pressas, em papel que não amarela (segundo o fabricante!), e no silêncio da galeria - as mesmas ilustrações. Não sei se sobrevivem mas sempre serve para respirarem um pouco. As imagens também têm muitas vidas.
Nota técnica O conjunto de ilustrações desta mostra foi realizado entre 2001 e 2008, e publicado na imprensa portuguesa, nos jornais Público, Sol, Inimigo Público e Combate, e nas revistas Pública, Visão e Magazinartes. |
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Solidão na cidade Publicado no jornal Público |
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Biografia
Joćo Fazenda nasceu em Lisboa em 1979.
Vive e trabalha entre Lisboa e Londres.
Estudou Artes Gráficas na António Arroio e é licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Desde 1999 que vem desenvolvendo uma actividade regular como ilustrador em vários jornais e revistas nacionais, do Público ao Independente, da Ler à Visão, entre muitos outros. Ilustrou também para livros infantis ( Colecção Um Saltinho com textos de Isabel Zambujal, A verdadeira história de Pedro e o Lobo, com João Paulo Cotrim) e para clássicos (Romeu e Julieta de Shakespeare); o guião gráfico
As aventuras do Rapaz de Papel de Nuno Artur Silva, cartazes de cinema ( Nha Fala de Flora Gomes, À flor da pele de Catarina Mourão) e capas de discos
(Pinhead Society, Mariza, Carlos Paredes, Tora –Tora Big Band, Deolinda).
É autor, juntamente com Marte, da série de banda desenhada Loverboy e com Pedro Brito da novela gráfica Tu és a mulher de minha vida, ela a mulher dos meus sonhos, com edições em português, francês e polaco, e participou em vários projectos colectivos como Movimentos Perpétuos- BD para Carlos Paredes e Vencer os Medos, entre outros.
Colaborou com Miguel Gomes no filme A Cara que Mereces. Co-realizador da curta-metragem de animação Café com Alex Cão e realizador da curta–metragem de animação Algo Importante ainda em produção. Colaborações regulares com agências de publicidade (Publicis, Bates, Abrinício, Tangerina Azul…)
Participou em diversas exposições individuais e colectivas em Portugal, Espanha, França, Córsega, Suíça e Itália.
Ganhou vários prémios em concursos de banda desenhada, com destaque para o Melhor Álbum Português do Ano de 2001 no Festival Internacional de BD da Amadora; foi premiado na àrea da ilustração no concurso Jovens Criadores em 2004 e foi distinguido por várias vezes com Awards of Excellence pela Society of Newspaper Design com ilustrações realizadas para o jornal Público. Vencedor do Grande Prémio Stuart de Desenho de Imprensa 2007. |
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